Um breve comentário sobre a doutrina das Santas Escrituras
Por Gabriel Palheta
"O Antigo Testamento em hebraico (que era a língua nativa do povo de Deus do passado), e o Novo Testamento em grego (que, na época em que foi escrito, era a língua mais comum entre as nações), tendo sido inspirados imediatamente por Deus e, pela sua particular providência e cuidado, mantidos puros em todos os tempos, são, portanto, autênticos; de maneira que, em toda controvérsia religiosa, a Igreja deve apelar a eles como a norma final."
Confissão de Fé Batista de Londres de 1689, Cap. 1, parágrafo 8
Três pilares mantêm a escritura de pé.
1 - Inspiração
2 - Inerrância/infalibilidade
3 - Preservação
Muito se ensina sobre a inerrância das Escrituras e sua inspiração divina (lit. Soprada por Deus).
Por que a Escritura não erra?
Resposta: porque ela foi soprada pelo Senhor. Deus não erra, logo, sua revelação verbal não erra.
Perceba que ambos os pontos 1 e 2 estão entrelaçados.
Mas há ainda o terceiro ponto levantado, e este é o chão em que os dois primeiros pisam — a preservação dessa revelação.
Só podemos confiar que a Escritura não erra e que ela é um livro divino (soprado) se ela permanecer intacta ao longo das eras.
Se ela estiver manchada pelos homens no passar do tempo, de tal forma que não podemos saber se o texto que temos em mãos é o texto que Deus nos deu, nossa confiança na inerrância e inspiração cai. Se os copistas prejudicaram definitivamente a Escritura, é inevitável que não saibamos ao certo em qual ponto ela estará sendo genuína, e em qual ela estaria corrompida.
Aqui nesse ponto evoco a contribuição dos batistas particulares da Inglaterra, que sabiamente observando as escrituras, notaram que o Deus da palavra também preserva sua palavra.
"Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente."
Is 40:8
"O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar."
Mt 24:35
Obviamente, olhando para a teologia bíblica livro a livro, ambos os textos estão ligados a seus respectivos contextos e falas construídas, seja da profecia de Isaías ou da narrativa do evangelho do Senhor Jesus. Todavia, não podemos esquecer que o todo da Escritura fala por uma linha principal — a revelação de Deus acerca de si mesmo, para sua glória e a salvação dos homens.
Nesse processo de relevar-se, é impossível conceber Sua revelação verbal sem Sua vontade de que os homens a conheçam. Logo, versículos como os citados nos dão a segurança de que Deus quer e prometeu agir para que suas santas palavras fossem conhecidas e trouxessem luz aos homens e edificação ao seu povo (como vemos em todo o Velho Testamento).
Quando os batistas particulares falam sobre preservação e pureza da Bíblia, eles não querem dizer que copistas não erraram em trabalhos que fizeram; nem que homens não tentaram perverter, esconder, aniquilar, e atrapalhar a transmissão textual. Mas sim que apesar disso, Deus manteve sua palavra intacta nesse processo natural de transmissão usando de sua santa providência.
Podemos sempre confiar na Palavra de nosso Deus, pois:
"As palavras do SENHOR são palavras puras, como prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes."
Sl 12:6
Todos os versículos citados foram tirados da versão Almeida Corrigida Fiel.
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