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Artigo de Opinião: Almeidas que não são Almeida

  • Foto do escritor: Rui Alexandre Dias
    Rui Alexandre Dias
  • 8 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

É com um misto de tristeza e zelo que sou compelido a levantar um ponto crucial, um que não podemos ignorar se amamos a Palavra de Deus e a solidez doutrinária: a proliferação de traduções que usam o nome Almeida – ou alguma variação dele – mas que, na realidade, traem os pilares fundamentais que a obra de João Ferreira de Almeida estabeleceu.

Eu digo com clareza: essas novas versões têm apenas um "gostinho de Almeida". Elas retêm a sonoridade da nossa língua portuguesa e um verniz de vocabulário histórico, mas falham miseravelmente em seguir o padrão que a Almeida estabeleceu.

O desvio está em três frentes principais e inegociáveis: a base textual, a metodologia de tradução e a transparência textual.


1. Substituição da Base Textual: O Abandono do Texto Sagrado

O primeiro e mais grave problema é o texto-fonte. A nossa tradução é sólida porque se alicerça sobre a fé na providência de Deus na preservação de Sua Palavra através do Texto Tradicional: o Texto Massorético (para o Antigo Testamento) e, acima de tudo, sobre o Textus Receptus (Texto Recebido) para o Novo Testamento.


O que fazem as novas versões "Almeida"?

Elas abandonam o Texto Recebido! Elas migram, em sua maioria, para o Texto Crítico (o Texto de Westcott e Hort, por exemplo). Este é um texto baseado em manuscritos mais antigos, sim, mas em um número menor e frequentemente questionáveis, que omitem e alteram passagens que sempre consideramos parte da Palavra de Deus. Quando eu leio essas novas Bíblias e vejo a ausência ou a modificação de textos cruciais, eu sei que não estou lendo a Almeida. Estou lendo uma tradução baseada em outra tradição textual, que desconfia da providência de Deus na preservação do texto em uso entre seu povo.


2. O Declínio da Fidelidade: Da Forma ao Sentido (Equivalência Formal)

O segundo pilar que estas versões destroem é o método de tradução. Almeida utilizou primariamente o que chamamos de Equivalência Formal, ou o método "palavra por palavra".

Almeida preferiu a Equivalência Formal porque ela busca fidelidade à forma e estrutura do original. Ela permite que o leitor brasileiro se aproxime ao máximo da estrutura da frase grega e hebraica. A exegese, a interpretação, continua sendo nosso trabalho.

As novas traduções, em nome da "fluidez" e da "clareza", abraçam a Equivalência Dinâmica, o método "sentido por sentido". Isso é perigoso porque, ao priorizar o pensamento sobre a forma, o tradutor inevitavelmente insere a sua interpretação no texto. Eu não quero ler o que o tradutor achou que o texto significa; eu quero ler o texto original na minha língua, traduzido com a máxima transparência e rigor!

Almeida pensava assim.


3. A Falta de Itálicos: A Omissão da Transparência Textual

E aqui chegamos à crucial questão da falta de itálicos. É aqui que a desonestidade metodológica fica mais evidente.

A metodologia da tradução Almeida, fiel à Equivalência Formal, exige transparência radical. Se uma palavra é essencial para o sentido e a estrutura gramatical em português, mas não existe literalmente no texto original, a regra de Almeida era clara: essa palavra deve ser marcada em itálico.


Exemplo Bíblico:

O exemplo clássico é o contexto de I Coríntios 14:2, um versículo que é precedido pela exortação:

"Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar"

I Coríntios 14:1, ACF.


O versículo 2, na Almeida Corrigida Fiel (ACF), traduz:

"Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios."


No grego (Textus Receptus), o texto é conciso e não possui o adjetivo "desconhecida". Na metodologia Almeida, esta palavra é inserida para completar o sentido e a gramática em português, e por isso deveria estar em itálico (desconhecida).

Ao omitir os itálicos, as novas traduções transformam o que é uma adição interpretativa do tradutor em algo que parece ser parte do texto inspirado original. Essa omissão destrói a ferramenta que o leitor tem para identificar exatamente quais palavras são uma ajuda linguística e quais são a Palavra de Deus em si.


A Minha Conclusão

Portanto, a conclusão é clara: o que está sendo vendido hoje como "Almeida" não segue o padrão que Almeida estabeleceu. Não se baseia no Texto Massorético e no Texto Recebido, não utiliza a Equivalência Formal como primária e falha em usar os itálicos como marca de transparência textual.

Eu me mantenho firme, e convido a todos a se manterem firmes, na versão que honra a tradição textual e o método de tradução.



Rui Alexandre Dias

Pastor da IBBV São Carlos, SP.

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Rui Dias
Rui Dias
08 de nov. de 2025
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