O Perigo de um Original Desconhecido: o Crítico Textual como Juiz da Palavra de Deus
- Rui Alexandre Dias

- 30 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Na minha leitura e estudo da Bíblia de Estudo NAA, deparei-me com uma afirmação na página 2479 que merece profunda reflexão. Trata-se da seguinte frase:
"Porém, ainda que a redação original do NT não possa ser conhecida, esse fato não é necessariamente motivo para alarme."
Essa declaração, que busca tranquilizar o leitor, paradoxalmente, estabelece um alicerce de incerteza que considero extremamente perigoso para a fé cristã e para a autoridade das Escrituras. O ponto crucial aqui é a distinção entre o manuscrito original (o autógrafo, que se perdeu por desgaste e tempo) e a redação original (o texto exato, palavra por palavra, que Deus inspirou).
Afirmar que a redação original não pode ser conhecida é, na prática, minar a doutrina da preservação providencial da Palavra de Deus.
Quando o Crítico Textual se Torna Juiz
A aceitação da premissa de que o texto original é irrecuperável e, portanto, incerto, abre as portas para que o crítico textual – o especialista que reconstrói o texto bíblico com base em milhares de manuscritos divergentes – ascenda à posição de juiz da Palavra de Deus.
A Bíblia de Estudo NAA, ao utilizar o Texto Crítico/Eclético (baseado majoritariamente nos manuscritos Alexandrinos), reflete essa metodologia. Ao nortear o texto (como a própria página 2479 da Bíblia de Estudo NAA sugere, ao mencionar que o NT contém "milhares de diferenças" nos manuscritos) à crítica textual moderna, convida o leitor a:
Depender da Erudição Humana: O texto que tenho em mãos não é a Palavra final de Deus, mas uma "reconstrução" feita por um comitê de estudiosos. A autoridade máxima deixa de ser a própria Escritura e passa a ser o consenso acadêmico.
Viver na Incerteza: Se o Novo Testamento tem milhares de diferenças, e se até mesmo algumas passagens longas e significativas são marcadas com notas de que "não estão nos melhores manuscritos", como posso ter plena convicção da inerrância e suficiência do que estou lendo e pregando?
Transferir a Preservação: A preservação da Palavra de Deus deixa de ser um milagre da fidelidade divina e torna-se um exercício contínuo de pesquisa humana.
Esta posição nos força a crer que Deus inspirou perfeitamente os autógrafos, mas falhou em preservá-los de forma inquestionável para a Sua Igreja.
A Certeza da Preservação: A Perspectiva do Texto Recebido
Em contraste direto com esta insegurança, a posição defendida por séculos, e que fundamenta nossas traduções mais fiéis (baseadas no Texto Recebido, o Textus Receptus), baseia-se na doutrina da preservação providencial completa.
Os defensores do Texto Recebido afirmam que:
Deus Prometeu e Cumpriu: A mesma Soberania de Deus que inspirou perfeitamente (Inspiração) também agiu providencialmente para preservar a redação original. Isso é evidenciado pelo testemunho quádruplo da Igreja, composto por: manuscritos gregos majoritários (o Texto-tipo Bizantino), as traduções antigas (como a Vetus Latina e a Peshita), as Citações dos Pais da Igreja e os Lecionários (livros litúrgicos). Este testemunho quádruplo confirma o texto que foi usado publicamente e reverenciado pela igreja através dos séculos.
O Texto é Conhecido e Acessível: O Textus Receptus é visto não como uma "reconstrução", mas como o próprio Texto Original que Deus garantiu à Sua Igreja. Isso oferece uma certeza inabalável de que a Palavra de Deus está completa em nossas mãos, sem a necessidade de um especialista humano para certificar qual versículo é divinamente autoritativo.
Nossa fé não pode ser refém da última descoberta arqueológica ou da última edição de um texto grego. A Palavra de Deus é a nossa bússola infalível, e esta autoridade deriva da fidelidade de Deus, não da competência de um crítico textual. A Palavra de Deus, e não a crítica textual, é o juiz da nossa fé e prática.
Rui Alexandre Dias
Pastor da IBBV, São Carlos SP
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Uma reflexão muito importante.
Não somos católicos. Não temos santo magistério acadêmico.