A Antiguidade das Leituras do Texto Recebido (TR): evidências manuscritas que remontam a séculos!
- Rui Alexandre Dias

- 20 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Muitas vezes, a discussão sobre o Texto Recebido (TR) se concentra apenas nos manuscritos gregos minúsculos. Contudo, é fundamental examinar as evidências manuscritas completas e a tradição textual para reconhecer a antiguidade de suas leituras.
As leituras encontradas no TR não são "novas"; pelo contrário, são atestadas por testemunhas muito antigas, muitas delas bilíngues ou latinas, que circularam no Ocidente e atestam sua presença antes mesmo dos grandes códices gregos.
1. O Final Longo de Marcos (Marcos 16:9-20):
Manuscrito Grego Antigo e de Peso: O mais antigo códice uncial de grande peso que inclui o final longo de Marcos é o Codex Alexandrinus (Sígla A ou 02), datado do Século V d.C. Este é um dos quatro grandes códices e atesta o Evangelho de Marcos com os versículos 16:9-20 sem notas de advertência.
Tradição Latina: A Vulgata Latina, a versão padrão de Jerônimo, concluída no início do Século V d.C. (c. 405 d.C.), também incluiu o final longo. Jerônimo, ao compilar e revisar os textos latinos, garantiu a presença desses versículos em praticamente toda a tradição manuscrita latina a partir de então.
2. O Versículo Atos 8:37:
Manuscrito Latino/Grego Mais Antigo: A mais importante e antiga testemunha uncial bilíngue que contém a leitura de Atos 8:37 é o Codex Cantabrigiensis (ou Codex Bezae Cantabrigiensis) (Sígla: D ou 05), datado do Século V ou VI d.C.
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Se considerarmos as citações dos Pais da Igreja, podemos rastrear a presença dessas leituras textuais para um período ainda mais antigo, chegando ao Século III e até o Século II d.C.
Atos 8:37: O testemunho mais antigo do conteúdo de Atos 8:37 não vem de um manuscrito grego, mas sim de uma citação de um Pai da Igreja Latina: Cipriano de Cartago, no Século III d.C. Ele cita a passagem em seus Tratados, indicando que o versículo já era conhecido na tradição do Latim Antigo (Vetus Latina) e estava em circulação no Ocidente muito antes dos códices gregos do Século IV.
Conclusão:
O TR possui uma profunda e antiga herança textual. Manuscritos como o Codex Alexandrinus e o Codex Bezae, juntamente com a tradição da Vulgata Latina e as citações dos Pais da Igreja (como Cipriano de Cartago), demonstram que as leituras do Texto Recebido têm raízes que se estendem ao longo dos primeiros séculos da era cristã, provando sua legitimidade e antiguidade.
Pastor Rui
Igreja Batista de Boa Vista (IBBV), São Carlos/SP.
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