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A Antiga Testemunha de "Primogênito" em Mateus 1:25 - evidências gregas e latinas

  • Foto do escritor: Rui Alexandre Dias
    Rui Alexandre Dias
  • 3 de nov. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 7 de nov. de 2025

Abreviaturas (CPTT):

Mss. - Manuscrito (sentido geral)

𝔓 - Papiros

MSS. - Uniciais

mss. - Minúsculos

ℓ - Lecionários

Trad. - Traduções

Patr. - (Citação) Patrística

O texto de Mateus 1:25 tem sido historicamente lido na grande maioria das Bíblias como:


"E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome JESUS." (Almeida Corrigida Fiel – ACF).


"καὶ οὐκ ἐγίνωσκεν αὐτὴν ἕως οὗ ἔτεκε τὸν υἱὸν αὐτῆς τὸν πρωτότοκον· καὶ ἐκάλεσε τὸ ὄνομα αὐτοῦ ἸΗΣΟΥΝ." (Textus Receptus - Scrivener 1894)


Esta leitura, que inclui o vocábulo grego πρωτότοκον, é a base do Textus Receptus e de diversas traduções históricas. Esta defesa da antiguidade baseia-se nas evidências textuais apresentadas pelo gramático Johannes Bergmann em sua obra "Introdução ao Grego Bíblico".


1. O Testemunho Grego Contra o Texto Crítico (Edições Modernas)


A leitura completa de Mateus 1:25, que inclui o termo "o primogênito" (τὸν πρωτότοκον), é atestada pela esmagadora maioria das testemunhas e reflete a tradição Bizantina/Majoritária.


Testemunho Majoritário: O Texto Receptus (TR) e o Texto Majoritário (HF, RF, TP) representam aproximadamente 99% de todas as testemunhas gregas existentes, as quais incluem "o primogênito".


A Autoridade de Johannes Bergmann: O autor, Johannes Bergmann, um dos mais respeitados gramáticos do grego no Brasil, avaliando estas evidências gregas, é enfático ao afirmar: "O texto completo é atestado pela esmagadora maioria das testemunhas, e não há dúvida de que é original." Ele conclui que, embora as edições críticas modernas optem pela leitura abreviada (com base em cerca de 0,5% das testemunhas, como os MSS. B, Z e 071), o texto completo é a leitura autêntica.


Apoio dos Mss. Gregos: A inclusão do termo "primogênito" é suportada por importantes códices gregos, como os MSS. C, D, E, K, N, W, Δ e Π, e pelos seguintes mss.: 157, 180, 205, 565, 579, 597, 700, 828, 892, 1006, 1009, 1010, 1071, 1079, 1195, 1216, 1230, 1241, 1242, 1243, 1292, 1365, 1505, 1546, 1646, 2148, 2174.


2. O Antigo e Disperso Suporte das Versões Latinas e Outras: Preservação Histórica


A antiguidade e a preservação histórica da leitura com "primogênito" são atestadas pelo vasto corpo de evidências que atravessam os séculos:


  • Século II: O texto é atestado pelo Diatessarão.


  • Século III: O texto é atestado por um Mss. Copta do Egito e pelos Mss. Gregos Sinaíticos.


  • Século IV: Patr. = (Atanásio, Cirilo de Jerusalém, Dídimo, Ambrósio) e Mss. gregos Sinaíticos.


    Nota sobre Testemunhas Válidas: Os Mss. do Século IV que preservam o texto Alexandrino (como o B) são, ainda assim, testemunhas válidas da Vetus Latina do Século II, reforçando a antiguidade desta tradição textual no Ocidente.


  • Século V: Mss. Gregos como os códices C, D e W; Patr. = (Epifânio, Crisóstomo, Jerônimo, Agostinho, Prócoro, Pseudo Atanásio, Cromácio); MSS. = 071.


  • Século VI: Mss. Gregos = (E, N, W); MSS. (087, e Códice Z).


  • Século VII: mss. = 33.


  • Século VIII: Códice L.


  • Século IX: Códices Gregos K, M, Δ, Π; mss. = 565, 892, 1079, 1203, 1582, 2835.


  • Século X: Mss. Gregos = S, 34, 36, 478, 652, 1582.


  • Século XI: Mss. Gregos = 2, 2C, 8, 28, 35, 43, 65, 72, 83, 113, 127, 200, 230, 272, 276, 476, 490, 491, 504, 560, 699, 700, 901, 1006, 1195, 1216, 1243, 2561, 3000.


  • Século XII: Mss. Gregos = 3, 7, 9, 11, 44, 57, 116, 157, 180, 438, 439, 505, 543, 556, 688, 828, 1010, 1071, 1230, 1241, 1365, 1505, 2603.


  • Século XIII: Mss. Gregos = 4, 10, 46, 198, 449, 500, 501, 579, 597, 1009, 1242, 1292, 2174.


  • Século XIV: Mss. Gregos = 12, 18, 109, 182, 201, 2148.


  • Século XV: Mss. Gregos = 205.


3. Argumento de Tendência Doutrinária: A Omissão do 'Primogênito'


Na análise das variantes textuais, a leitura que contém o termo "primogênito" é plausivelmente a original, pois a omissão pode ser mais facilmente explicada como uma alteração intencional de um escriba, motivado por questões doutrinárias.


O termo "primogênito" implica que a mãe teve (ou poderia ter) outros filhos depois. Portanto, a omissão da palavra nos manuscritos de tendência Alexandrina, como o Codex Vaticanus (B) e outros, é considerada uma alteração feita por comunidades marianas que criam na virgindade perpétua de Maria. Ao remover primogênito , os copistas eliminavam a implicação de que Maria e José teriam tido relações conjugais após o nascimento de Jesus.

Assim, a leitura mais longa é a leitura mais difícil e menos propensa a ser uma adição, mas mais suscetível a ser omitida para harmonizar o texto com uma doutrina teológica posterior.

Conclusão


Com base no testemunho esmagador da tradição Majoritária (99% dos manuscritos), na forte evidência das antigas versões e na autoridade de Johannes Bergmann, a leitura completa de Mateus 1:25 deve ser considerada a original.


A Bíblia na Almeida Corrigida Fiel (ACF), ao preservar a leitura que se refere a Jesus como o "primogênito" de Maria, está solidamente fundamentada na mais ampla e original tradição textual.


Rui Alexandre Dias

Pastor da IBBV São Carlos, SP

2 comentários

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Gabriel Palheta
Gabriel Palheta
07 de nov. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Excelente artigo.

Mt 1:25 conforme o Texto Recebido é rejeitado principalmente por católicos, pois a variante errônea ajuda sua mariolatria. A verdade, porém, é que Maria não ficou perpetuamente virgem. Após Cristo nascer, a vida graciosa, santa e benevolente do matrimônio foi desfrutada por ela ao lado de seu marido José. Essa união abençoada resultou em filhos, irmãos do Senhor.

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Jorge Caratti
Jorge Caratti
04 de nov. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Texto muito relevante e bem fundamentado conforme a ampla e antiga tradição textual da Igreja.

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